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JOALHERIA SILVA

A história da Joalheria Silva, localizada no município de São Mateus, no Estado do Espírito Santo, tem início quando Ubaldino Alves da Silva chegou a São Mateus no dia 12 de abril de 1970.
Ele nasceu no então distrito de Anajé, na época uma vila no interior do município de Vitória da Conquista, na Bahia, em 19 de janeiro de 1945.
Morou no interior com os pais até idade de 17/18 anos quando foi para Vitória da Conquista aceitando um convite de uma sua tia para ajudá-la no conserto de jóias.
Os irmãos de seu pai sempre trabalharam como ourives.
Devagar foi aprendendo a usar as ferramentas para o conserto de jóias e também foi adquirindo as suas próprias ferramentas.
Depois de trabalhar um tempo com sua tia em Conquista, montou um pequeno ponto comercial e iniciou suas atividades prestando serviços ao público em geral e para um outro tio que já estava estabelecido há muito tempo na cidade.
De Conquista foi para Pedra Azul, em Minas Gerais e depois voltou para Anajé onde ficou pouco tempo. De lá veio para Pinheiro, um ano e meio antes de vir para São Mateus.
Sem saber ao certo se Espírito Santo era uma cidade ou um estado, quando chegou na rodoviária de São Mateus, vindo em um ônibus da linha Nanuque-São Mateus, deixou ali sua mala guardada, pois pegaria o ônibus para Vitória algumas horas depois.
Ao saber que a cidade comemorava a festa do padroeiro, resolver ir ao Parque de Exposições.
No caminho, numa casa vizinha ao Hospital Maternidade, já arranjou uma namorada com quem ficou toda a tarde passeando no local dos festejos.
No dia seguinte foi para Vitória. Lá chegando ficou surpreso ao saber que a cidade de Pinheiro ficava próximo a São Mateus.
Voltou para São Mateus e teve que arranjar uma carona, pois, na época, não existia linha de ônibus para Pinheiro. A carona ele pegou no Posto, no restaurante Maria Amélia.
Nessa sua passagem por São Mateus conheceu pela primeira vez uma igreja protestante. Ele ficou assustado com a gritaria dos freqüentadores.
Em Pinheiro trabalhou ajudando o seu tio, principalmente na fabricação de anéis. Na época, os homens de lá gostavam muito de anéis com grandes pedras preciosas e semi-preciosas.
Seu tio mandava sempre ele viajar a São Paulo para comprar ouro. Ubaldino aproveitava as viagens para comprar ferramentas de ourives para seu próprio uso.
Trabalhou um ano e meio em Pinheiro, mas seu tio, percebendo que a cidade era pequena para dois ourives, disse para o sobrinho que ele deveria procurar um lugar maior para montar seu próprio negócio.
Ubaldino ficou muito triste, pois gostava muito de Pinheiro.
Foi seu tio quem veio a São Mateus e arranjou um ponto para ele iniciar suas atividades. O ponto ele conseguiu na Pensão Favorita, num pequeno compartimento aonde iniciou suas atividades e dormia.
Para Ubaldino a Dona Izabel, proprietária da pensão, era como se fosse a sua mãe, pois recebeu dela muita ajuda, inclusive a proteção contra a perseguição de fiscais da prefeitura.
Nos primeiros meses em São Mateus, trabalhou também como fotógrafo, fazendo monóculos coloridos, que estava muito na moda à época.
De início ele trabalhava, dormia e comia na Pensão Favorita. Para pagar a conta da pensão era muito difícil, pois havia pouco serviço de ourives e ele ganhava muito pouco.
Ubaldino já estava desistindo de ficar em São Mateus e falou para Dona Izabel que iria embora. Dona Izabel, muito bondosa para com ele, disse que ele podia ficar o tempo que quisesse e que pagasse o que pudesse até melhorar a sua freguesia. Até fregueses ela arranjava para Ubaldino.
Para diminuir as despesas Ubaldino parou de tomar as suas refeições na pensão e passou a comer comida de conserva que ele comprava na “Casa do Arroz”.
Nesse período Ubaldino passou a anotar tudo o que ele ganhava e o que ele gastava num caderninho para saber se o negócio dava resultado ou não.
Passados quase três anos de trabalho no ponto da Pensão Favorita, o negócio foi melhorando e Ubaldino foi chamado por Sozígenes, um baiano do Prado que havia chegado a São Mateus há pouco tempo, para dividir o aluguel de um ponto do Sr. José Bino, na rua Dr. Arlindo Sodré, perto do Bar de Gildam Bastos, em frente ao portão do Colégio Estadual. Era o ponto em que Rozalvo trabalhou com uma pequena relojoaria.
Os dois passaram a trabalhar juntos. Sozígenes trabalhava com consertos de relógios.
Era o início da década de 1970 e São Mateus experimentava um crescimento muito grande.
Ubaldino diz que os funcionários da Aracruz eram seus melhores fregueses, pois a empresa botava muito dinheiro no pagamento de mão-de-obra no município. Segundo ele foi o período em que mais São Mateus cresceu.
Em 1975, já com a vida arrumada, Ubaldino casou-se com Zélia Tesolim.
Ubaldino combinou com José Bino, ampliou o ponto e fez outro ponto na Travessa Dr. Moscoso para onde Sozígenes se mudou.
Assim Ubaldino abriu uma joalheria que passou a ser importante na cidade.
Um belo dia chegou um senhor de São Mateus que tinha uma casa de prostituição no Encruzo (bairro Litorâneo) com algumas jóias e um anel com uma pedra bem grande querendo vendê-las para Ubaldino.
Ubaldino não conhecia muito de pedras e até pensou que era uma pedra falsa e que o anel nem era de ouro puro.
O homem insistiu para ele comprar as jóias dizendo que um freguês tinha gastado com prostitutas e, como não tinha dinheiro para pagar a conta, havia deixado aquelas jóias como pagamento.
Ele queria três mil (dinheiro da época) no anel e outro tanto no restante das jóias. Ubaldino ofereceu dois mil no anel para ajudá-lo, mas com desconfiança que era jóia falsa.
O homem deixou o anel pelos dois mil e Ubaldino o colocou no dedo. Porém o anel atrapalhava o seu trabalho, pois agarrava na camisa e na calça tirando fio das roupas. Ubaldino pegou o anel e jogou para o fundo de uma gaveta e o deixou por lá.
De seis em seis meses Ubaldino ia visitar os parentes que moravam em Minas e Bahia. Numa dessas viagens levou o anel e o mostrou a um tio seu que morava em Teófilo Otoni para ver se o tio conhecia se o anel tinha algum valor. O tio não soube dizer nada, mas o levou à presença de um amigo da sua confiança que ofereceu 25 mil no anel.
Ubaldino diz que quase caiu de susto, porém se conteve e disse que o anel era uma jóia de família e que a sua mãe havia pedido para avaliá-lo para depois vender.
Dali de Teófilo Otoni Ubaldino foi para Vitória da Conquista aonde conhecia uma pessoa que negociava com jóia.
Em Conquista a tal pessoa lhe ofereceu no anel um quilo de ouro puro, ou um quilo de jóias em metal banhado a ouro ou 45 mil.
Ubaldino aceitou a proposta e trouxe, da primeira vez, somente meio quilo de jóias, pois, segundo ele, “era jóia demais para trazer de uma vez só”.
Trouxe as jóias para São Mateus e ganhou muito dinheiro com elas.
O negócio prosperou e os representantes sempre o incentivavam a montar mais uma joalheria, mas Ubaldino não aceitava a idéia, pois estava sozinho e se considerava um homem de pouco conhecimento para tocar muita coisa ao mesmo tempo.
O proprietário do ponto aumentava o valor do aluguel todo ano, sempre dobrando esse valor, apesar de todo o ponto ter sido construído pelo locatário. Por isso Ubaldino comprou um terreno na Travessa Dr. Moscoso e construiu uma loja no térreo e uma casa no andar superior.
Quando José Bino soube disso, passou a tratá-lo melhor, porém, surgiu a oportunidade de comprar uma loja na Av. Jones dos Santos Neves, onde o Sr. Virgilio tinha uma loja de vestidos de noivas.
Comprou a loja à vista e deixou o Sr. Virgílio nesse ponto durante um ano sem pagar aluguel para que ele desocupasse nesse prazo.
Na sua antiga loja ficou treze anos e na loja atual, da Av. Jones dos Santos Neves, Ubaldino atende toda a sua freguesia de São Mateus, das cidades vizinhas e de cidades do sul da Bahia.
Atualmente (2009), Ubaldino participa mais dos trabalhos em suas propriedades rurais, pois conforme afirmou, o filho, a esposa e os funcionários trabalham tão bem que permitem a ele essa condição.

JOALHERIA SILVA

Av. Jones dos Santos Neves, 199 - Centro - São Mateus - ES  -  CEP: 29930-015

Telefone: (27) 3763-1326
Texto de Eliezer Nardoto baseado em entrevista a ele concedida por Ubaldino Alves da Silva, em setembro de 2009.

 

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